Violeta foi para o céu

Um filme de Andrés Wood

Antes de Bob Dylan no sul do mundo, houve Violeta Parra, a mãe do Folk Latino Americano

Indicado ao Goya. Grande vencedor do Sundance. Prêmio do Público

Fechar x
Sobre o filme

"Escreva como você gosta, use os ritmos que aparecerem, tente diferentes instrumentos, sente-se ao piano, destrua o que é linear, grite ao invés de cantar, arrase na guitarra e toque a buzina.
Odeie matemática e ame redemoinhos.
Criação é um pássaro sem um plano de vôo, que nunca irá voar em uma linha reta" - Violeta Parra

Da marquise que construiu em Santiago, Chile, Violeta Parra é visitada por pessoas que deram forma à sua vida. Ela está viva, mas talvez esteja morta. Gradativamente vamos descobrindo seus segredos, seus medos, frustrações e alegrias.

Baseado no romance homônimo de autoria de Angel Parra, filho de Violeta, “Violeta Foi Para o Céu” de Andrés Wood faz um retrato da famosa compositora, cantora, artista plástica e folclorista chilena Violeta Parra, não só apresentando seus diversos trabalhos, mas também memórias, seus amores e suas esperanças.

Da infância humilde ao reconhecimento internacional, passando pela intensidade de suas contradições internas, falhas e paixões, suas realizações são suspensas em uma jornada apaixonante, com personagens que a fizeram sonhar, rir e chorar.

Fechar x
Sobre Violeta

Em 1964, o jornal francês "Le Figaro", publicou o seguinte título, comentando sobre a exposição de Violeta no Louvre: "Leonardo Da Vinci terminou no Louvre, Violeta Parra começou lá."

Artistas internacionais como Joan Baez, U2, Faith No More, Pete Seeger, Wynton Marsalis, Shakira, Michael Bublé, Juanes, Alejandro Sanz, Laura Pausini, Fher (do Maná), Vargas Chavela, Café Tacuba, Manuel Joan Serrat, Mercedes Sosa , Charly García, Silvio Rodríguez, Buena Vista Social Club e Miguel Bosé entre outros, têm regravado suas canções e contribuído para espalhar a sua voz pelo Mundo.

Cantora, compositora, poetisa, pintora, escultora, bordadeira e ceramista, Violeta era uma artista multifacetada, ícone da cultura popular, guardiã das tradições chilenas. Uma mulher genial, de intensas contradições.

Com mais de 3.000 músicas e obras inspiradoras, Violeta Parra ganhou a apreciação da arte nacional, e abriu as portas para a nova música chilena. Resgatou a cultura tradicional esquecida, viajou pelo Chile de norte a sul para conhecer sua voz, melhorá-la e salvá-la de estereótipos. Então, ela a reinventou, criando obras-primas musicais, e as distribuiu para o país e para o mundo. "Criar a partir daquilo que existe” era seu lema.

Suas composições vem sendo elogiadas pela crítica em todo o mundo, por suas letras poéticas, compromisso social, e para seu desenvolvimento musical complexo.

Violeta, uma mulher vanguardista, passou à frente de seu tempo e com seu violão protestou, denunciou e condenou a injustiça social e suas próprias experiências pessoais. Ela começou a falar através de seu canto. Suas músicas com conteúdo político e social despertou os corações dos jovens.

Assim como sua capacidade como música e poetisa, está seu talento com as artes plásticas nas tintas, tecidos e cerâmicas de originalidade virtuosa, expondo com um sentimento esperançoso na Argentina, Rússia, Finlândia, Alemanha, Itália e França.

Em 1964, o Louvre foi aberto pela primeira vez para um artista latino-americano, e também para a primeira mulher a expor seu trabalho lá. A arte honesta de suas pinturas e linhagem triunfou, enquanto ela sofria de amor.

Em uma entrevista para a TV suíça, perguntaram a ela se tivesse que escolher apenas um meio de expressão entre a poesia, pintura, música ou outra das muitas artes, ela respondeu: "Eu iria escolher ficar com as pessoas, porque são elas que me inspiram", mas o jornalista insistiu, e Violeta finalmente decidiu que escolheria a pintura, "porque é o ponto triste da minha vida, a partir daí eu tento desenhar os aspectos mais profundos", disse ela.

Tão íntimo era o mundo de Violeta, que foi refletido em suas criações, triste, sempre humano, denso e infantil ao mesmo tempo. Brilhante, irônico, muito doloroso, solitário e fugaz.

Em 1965, ela voltou para o Chile e construiu uma grande tenda em La Reina, que tinha como objetivo se tornar o centro da cultura popular. Por muito tempo Violeta esperou para trazer sua mensagem aos chilenos, uma mensagem de sensibilidade universal que hoje a eleva como a artista com raízes na tradição popular mais conhecido internacionalmente, uma representante genuína do folclore chileno e fonte permanente de inspiração para gerações de músicos populares.

Quando Gilbert Favre, o amor de sua vida, a deixou, a tristeza encheu o seu coração e sua vida. Ela anunciou: "O dia em que eu não tiver um amor para dedicar minhas canções, deixarei minha guitarra em um canto e me deixe morrer", foi isso que ela fez.

Aos 50 anos, em 05 de fevereiro de 1967, incompreendida pelo público chileno e incapaz de resolver os problemas emocionais que a atormentavam a vida inteira, um tiro deu fim a sua vida na marquise de La Reina.

O mundo foi deixado por ela, mas a autora da música "Gracias a la vida" (oferecida à vida), deixou pelo mundo pedaços de si mesma.